Segunda-feira, 30 de agosto de 2010. Tinha tudo para ser um dia comum, como outro qualquer. Porém, eu necessitava assinar meu relatório de iniciação científica, era o último dia. Logo após sair da aula de Introdução à Ciência do Direito (ICD) do excelentíssimo professor Arnaldo Afonso Barbosa dirigi-me ao ponto de ônibus. Após um décimo de hora o ônibus passou, 5102, destino UFMG- Campus Pampulha. A viagem foi comum, entediante como toda viagem de ônibus coletivo, pelo menos até aquela. Chegando ao Campus, dirigi-me imediatamente para o prédio da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH), onde fica a secretaria de ensino. Li rapidamente o relatório e o assinei, findada minha pesquisa sobre as "Concepções acerca do Inferno na sociedade brasileira do século XVII e XVIII".
Sai rapidamente e fui ao ponto de ônibus, precisava trabalhar e estava atrasado já, ou melhor, ainda não estava atrasado, mas como deveria utilizar dois ônibus até chegar ao meu local de trabalho, com certeza eu chegaria muito atrasado. Não tardou muito até que o ônibus veio, novamente o 5102, mas agora meu destino era o mercado central, um dos pontos turísticos (?) da cidade de Belo Horizonte. Sentei-me na última cadeira do coletivo, do lado direito do ônibus.
Eu não teria tempo para almoçar, por isso resolvi saborear dois pequenos pacotes de um biscoito intitulado "Club Social". Não aplacaram minha fome, mas pelo menos me distrai. (Eu não joguei os embrulhos pela janela, fiquei segurando-os para jogar na lixeira mais próxima quando descesse, cidadania!).
Ao acabar de saborear o biscoito mais ou menos sem graça (prefiro Danits), olhei na direção do trocador e eis que me deparo com uma cena não muito comum, havia uma jovem sentada no colo do seu namorado (é o que imagino quando vejo uma moça sentada no colo de um rapaz). Muitos moralistas podem achar que isso é um absurdo, ou no mínimo indecente, porém, eu gosto quando vejo uma cena assim. Interesso-me por essas situações que afrontam uma falsa moral.
Era um casal jovem, entre 20 e 25 anos, boa aparência, provavelmente universitários. Fiquei observando-os, tal como um voyeur. Via apenas o rosto dela nitidamente, pois estava sentada com a face voltada na minha direção, tronco voltado para o corredor do coletivo, o qual se encontrava com aproximadamente 15 pessoas em pé. Para facilitar a escrita, nomearei o rapaz de "namorado" e a moça de "namorada".
O casal conversava e se beijava, e eu estava achando aquilo bonito. Posteriormente, um rapaz sentado ao lado do "namorado" levantou-se para descer e logicamente o casal pode ocupar o banco. Ele do lado da janela e ela do lado do corredor. Agora eu podia vê-los melhor, os dois. A maneira como olhavam um para o outro era algo mágico, como se houvesse uma jóia rara que se encontrasse no olhar de cada um e o brilho nos olhos deles eram qualquer coisa de mágico. Se não bastassem os beijos, eles começaram a fazer brincadeiras um com o outro, falar palavras doces, e trocar juras de amor. Mesmo distante eu escutava frases como: "eu ainda não ouvi 'eu te amo' hoje" e ela respondia que "eu te amo muito, você é maravilhoso" e outras declarações do tipo.
Fiquei encantado em ver aquela cena. Era como se o casal houvesse criado um mundo só deles dentro do coletivo, como se não houvesse ninguém além dos dois (e eu, claro!). E vi que aquilo era um namoro na concepção total da palavra, aqueles dois se gostavam, estavam apaixonados, eram amantes, amados e amorosos.
Aquele casal me mostrou o que é duas pessoas serem namorados. É não ter vergonha de trocar carinhos, palavras doces, juras de amor. É não deixar se intimidar por uma falsa moral. É se entregar à nobreza de sentimentos e sensações. É ser sublime e intenso. É ter vontade, é ter paixão e vivê-la. (Coincidentemente ou não o professor Arnaldo falou um pouco sobre "paixão" hoje na aula, ele adorava falar sobre paixão e namorados). Chegando ao mercado central, tive que me despedir daquele casal em silêncio.
Confesso que fiquei com vontade de ir até eles e cumprimentá-los pelo relacionamento modelo e agradecê-los pela lição. Porém, não quis quebrar o clima romântico ali existente. Desci com um sorriso no rosto e mentalmente agradeci ao casal e desejei que prosperassem. O amor daquele casal preencheu meu dia com a alegria e a esperança de que o amor romântico não é apenas um mito, pois quando há um sentimento sincero e verdadeiro aliado a uma vontade incontrolável (paixão, segundo o professor Arnaldo) o amor romântico, sincero e verdadeiro é uma deliciosa realidade. Aprendi com aquele casal, mais do que em um ano de pesquisa.
Meus agradecimentos ao CNPq, ao meu orientador e principalmente ao casal do 5102.

30 de agosto de 2010 foi o dia que se pode dizer que o amor tomou conta do coletivo...
ResponderExcluirSão esses momentos que fazem toda a diferença em nossas vidas.Momentos assim
são inesquecíveis...
Eu tambem prefiro Danits!rsrs